Durante muito tempo vivi com a sensação de que os travões da minha bicicleta dobrável eram apenas “aceitáveis”. Funcionavam, mas nunca de forma imediata. Havia sempre um pequeno atraso entre apertar a manete e sentir a bicicleta realmente a travar. Na cidade, onde tudo acontece depressa, isso começou a incomodar-me mais do que devia. Ignorei …
Nunca pensei muito sobre transporte urbano. Para mim, deslocar-me era apenas algo a resolver todos os dias: chegar a horas, evitar atrasos, gerir o cansaço. Tudo mudou no momento em que vivi, quase por acaso, duas cidades que decidiram tratar a mobilidade como uma questão de qualidade de vida — Estocolmo e Helsínquia. Não fui …
Durante muito tempo, achei que o problema era a cidade. O trânsito, os atrasos, os transportes sempre cheios, a sensação constante de estar a correr atrás do dia. Só mais tarde percebi que o problema não era onde eu vivia, mas como me movia dentro desse espaço. Tudo começou numa manhã banal, daquelas que parecem …
Durante semanas houve algo que me incomodava na bicicleta, mas que eu insistia em ignorar. Não era um barulho, nem uma falha mecânica evidente. Era uma sensação. Começava sempre da mesma forma: saía de casa confortável, com o selim na altura certa, e terminava o percurso com a estranha impressão de estar a pedalar “demasiado …
Há um momento muito específico em que percebemos que algo já não está bem — não é um problema grave, nem um susto, é apenas uma sensação estranha. No meu caso, aconteceu numa rua plana, num trajecto que faço quase todos os dias. Estava a pedalar sem pressa quando senti um pequeno salto nos pedais. …
Houve uma fase em que pedalar deixou de ser relaxante para mim. A bicicleta andava, mas nunca em silêncio. Havia uma vibração constante, sobretudo a baixas velocidades, e uma sensação estranha de instabilidade que eu atribuía ao tamanho das rodas. “São pequenas, é normal”, repetia para mim mesma. Até ao dia em que, numa recta …
Durante muito tempo, atravessei Bogotá sempre da mesma forma: dentro de um autocarro parado, a olhar para a mesma fila de carros, a fazer contas ao tempo que estava a perder. Duas horas para percorrer menos de dez quilómetros. O combustível queimava-se, o ar ficava pesado, e eu chegava ao trabalho cansada antes mesmo de …
Só me apercebi de que algo estava errado quando comecei a chegar ao fim dos percursos com os pulsos doridos. Não era cansaço normal. Era uma tensão estranha, como se estivesse constantemente a corrigir a direcção sem me dar conta. A bicicleta andava, sim, mas não fluía. No início pensei que fosse má postura minha. …
O que evitar para não comprometer a bicicleta sem dar por isso A situação aconteceu numa manhã comum. Estava com pressa, dobrei a bicicleta à entrada do prédio e senti que algo não encaixou como devia. Não foi um bloqueio evidente, foi mais subtil: um pequeno atrito, um som metálico curto, quase imperceptível. Ignorei. No …
Lembro-me perfeitamente do dia em que percebi que algo não estava bem com a minha bicicleta dobrável. Não foi uma avaria súbita nem nada dramático. Foi um som. Um rangido insistente, daqueles que começam baixos e, quanto mais tentamos ignorar, mais presentes ficam. Saí de casa como tantas outras vezes, dobrei a bicicleta no hall …










